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Wapapper entrevista: JPA

  • Olá! Estamos aqui começando mais um Talk-Show, digo, entrevista com o tio Wapapper! Hoje estaremos conversando com o famoso JPA! O criador dos mais famosos ainda jogos de RPG Maker: “Rhygar e os soldados do rei”, “Rygar contra o império do mal” e o mais novo (e último) jogo da trilogia “Rygar e o império perdido”! Saiba porque o nome do heróis mudou, de onde JPA tirou esses nomes e tudo mais aqui, nessa entrevista exclusiva!

    1) Como foi saber que você foi convidado para essa entrevista?

    Cara, essa pergunta é muito difícil. Acho que a resposta seria essa: eu fiquei indiferente. Claro que é algo legal ver pessoas se interessando por seu “trabalho” (tudo bem, criar jogos no RPG Maker não é trabalho, (é vagabundagem mesmo), mas anos estraçalhando as vítimas em jogos de videogame acabaram por tirar qualquer resquício de emocionalidade que eu poderia ter. Por isso, não sinto emoção com os acontecimentos da minha vida e fiquei indiferente ao ser convidado para a entrevista.

    2) Poderia nos contar como surgiu a idéia de criar um jogo de um gordo bêbado e seus amigos?

    Eu nunca fui muito fã de RPG de videogame (e qualquer outro tipo de RPG), principalmente porque os heróis destes jogos são caras perfeitos: bonitos, fortes, virtuosos, honrados e ainda por cima vivem rodeados por mulheres gostosas. Além disso, os heróis de RPG estão sempre dispostos a se sacrificar para salvar o mundo… Bom, pelo menos na realidade em que vivo as pessoas não são bem assim. Decidi então criar um RPG onde os personagens fossem menos idealizados e mais humanos. O Rygar surgiu meio por acidente, já que eu o inventei enquanto aprendia a mexer no RPG Maker 2000. Mas no final das contas, a personalidade dele, e de seus amigos, refletem bem essa minha idéia de não criar personagens idealizados. O Rygar não está nem aí pra nada e age como eu gostaria que os personagens agissem na maioria dos games, mandando os NPCs importantes calarem a boca quando eles começam a falar muito; tenta resolver as desavenças com os vilões na conversa ao invés de trocar sopapos a todo o momento; aproveita os momentos de folga pra encher a cara e falar besteiras, etc.

    3) De onde você tirou esses nomes?

    O Rygar e o Kelman, a dupla de protagonistas do primeiro jogo, saíram de um livrinho de RPG muito velho, daqueles que a gente escolhia uma opção e pulava pra página marcada pra ver o que acontecia. O Rygar, nesse livro, era uma espécie de ratinho falante! Os outros nomes eu nem lembro, fui inventando do nada, ou copiando os nomes que eu lia por aí.

    4) Quando você terminou o segundo jogo de Rygar, desistiria da série, mas fez o terceiro. O mesmo pode acontecer agora ou você desistiu de vez de Rygar?

    O Rygar 2 era pra ser o último. Mas eu não gostei muito do resultado final. Os jogadores mais atentos vão perceber que o Rygar 2 tem duas partes muito distintas. No começo, ele está meio forçado e com piadinhas fracas. Mas em determinado ponto, ele fica bem melhor, com mais cara de “Rygar” mesmo. Isso porque eu comecei a fazer o Rygar 2 por “obrigação”. Eu vi um site elogiando o Rhygar e os Soldados do Rei, baixei o jogo de novo (que eu já tinha perdido do PC faz tempo) e acabei me empolgando em fazer uma nova versão. Só que eu demorei muito pra recuperar o jeitão do Rygar, o que acabou comprometendo um pouco o segundo game em minha opinião. Depois que terminei e vi que a segunda parte do game estava muito melhor que a primeira, decidi que ia fazer um Rygar inteiro direito, sem “forçar a barra”. Por isso fiz o Rygar 3, para fechar a série, que foi muito famosa no meio do RPG Maker, com chave de ouro. Só que o terceiro foi sim o último, não tenho mais tempo pra fazer games grandes e, uma trilogia completa já é uma raridade em se tratando de RPG Maker no Brasil. Então acho que já está bom demais. Se o Rygar voltar um dia, será em algum outro projeto, que não um jogo de RPG Maker… quem sabe se o personagem não ganha vida de outra maneira?

    5) Por que seus novos projetos em RPG Maker VX não têm o mesmo sucesso que sua trilogia?

    Eu fiz o “Drunkmaster” para o VX e agora estou fazendo o “Putônio” (VX também). Em ambos os jogos, eu não tive (tenho) a intenção de fazer nada que não fosse um mero passatempo, tanto pra mim ao fazê-los, quanto para os jogadores ao jogarem. Com o Rygar, eu tinha certa responsabilidade, porque muita gente gostou do personagem, então eu me sentia obrigado a oferecer algo decente para este pessoal. Apesar de não ter grandes dificuldades pra criar os games do Rygar, afinal, são jogos simples sem grandes invenções, fazer um game relativamente comprido se preocupando sempre em manter a personalidade dos personagens consome tempo. Estes projetos do VX são games completamente descompromissados. É mais como um passatempo mesmo, por isso que não fazem tanto sucesso. E isso não me incomoda também, se alguém gostar do game, já está valendo e, tanto o Drunkmaster quanto o Putônio agradaram muito algumas pessoas. Claro que não é exatamente o mesmo público do Rygar, já que a temática é bem diferente.

    6a) Você é homossexual?

    Não, sou macho!

    6b) Por que você ainda não fez um site com todos os seus jogos?

    Eu tinha um site antigamente, mas o servidor (nem lembro qual era) achou que eu estava descumprindo os termos por oferecer download de jogos e apagou tudo sem avisar. Eu fiquei revoltado, afinal, os jogos que eu disponibilizava para download eram feitos por mim mesmo, mas fazer o quê?… E outra, não criei tantos jogos assim, é apenas a trilogia Rygar, um game perdido de Rm95 chamado “A Saga de Vandalm” (que eu nem sei se ainda existe pela Internet), o Drunkmaster e o Putônio. Não vejo motivos pra fazer um site só para isso, ainda mais quando apenas a trilogia Rygar foi feita com algum cuidado.

    7) Qual foi motivo de você ter mudado o nome do herói e não ter nada explicado no jogo?

    No Rhygar e os Soldados do Rei, o nome do herói aparecia assim: “Rhygar”, “Ryghar”, “Rhyghar”, “Rygar”, ou seja, nem eu mesmo sabia como escrever o nome daquele gordo. Então, quando fiz à segunda versão, decidi manter apenas a forma mais simples: “Rygar”, que é mais fácil de escrever (o que faz diferença quando estamos criando o game no RPG Maker). Eu devia ter explicado, mas esqueci, o que deu a maior confusão, inclusive de um pessoal achando que os criadores do Rygar 1 e Rygar 2 eram pessoas diferentes. Mas não são, fui eu mesmo.

    8) Por que no terceiro jogo Rygar aparece em um reino diferente e não com seus amigos de sempre?

    No final do segundo jogo, eu fiz um final definitivo, daqueles que conta o futuro dos personagens. Logo, se eu fizesse um Rygar 3 que se passasse no mesmo mundo, eu teria que seguir algumas coisas que inventei no final do Rygar 2. E isso ia dar trabalho… E eu sou preguiçoso… Então decidi fazer o seguinte: mandar o Rygar pra um novo reino onde estaria livre pra inventar qualquer coisa sem contrariar o final do Rygar 2. Por um lado isso foi ruim, porque os personagens importantes como o Touraço, a Rita, o Bráulio, o Kelman, dentre outros, não poderiam aparecer. Por outro lado, isso foi bom, porque permitiu que eu criasse personagens completamente novos, pra fugir da mesmice.

    9) Eu estou sem perguntas, tem como você me fazer uma pergunta e eu responder?

    Cara, sei lá… Qual é a sua cor favorita? Também estou sem perguntas…
    R: Azul =D

    10) Quer falar alguma coisa a mais?

    Bom, não tenho muito que dizer, já que sou meio burro e lerdo. Só queria deixar claro que, após a trilogia Rygar, eu decidi me aposentar da carreira “RPG Makerzística”. Estou criando alguns joguinhos de vez em quando, apenas como passatempo, que podem ser encontrados nos fóruns dos maiores sites de RPG Maker do Brasil. Se alguém se interessar, procurem. É isso. E quanto ao Rygar, eu tenho vontade de fazer algum projeto novo com este personagem, mas eu realmente não sei o que eu poderia fazer. Só sei que não serão jogos de RPG Maker.
    Obs.: nenhuma parte da entrevista foi alterada, a não ser alguns erros que o Word detectou!
    Obs.²: Também gosto de preto, mas prefiro azul!

    Escrito por Wapapper