Geração MMORPG
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Esses dias eu estava conversando com um pessoal no meu MSN e de repente um cara veio falar comigo. Começamos a conversar e ele me perguntou se eu jogava “Lineage”. Eu prontamente respondi que não, e que os famosos MMORPG’s não me chamavam a atenção. Ele então me perguntou se eu sabia o que era RPG. Me senti extremamente menosprezado nesse momento. Eu jogo RPG desde os 10 anos. Comecei numa banca de revista. Estava lá eu, na minha flor da infância, enlouquecido entre revistas sobre Dragonball Z e Pokémon. Eu estava felicíssimo, ia de um lado para o outro feito um louco. Daí, perdida e soterrada sob vários HQ’s, um tesouro sublime: Dragão Brasil. Na capa, uma imagem épica de um dragão sendo morto por um cavaleiro. Minha mente rapidamente fantasiou. Comecei a folhear a revista e fui descobrindo um mundo novo. Comprei a revista e fui para casa. Chegando lá, comecei a descobrir o que era o RPG.Desde pequeno eu sempre criei meus próprios jogos. Quando meus colegas se esbanjavam em cartas de Pokémon, eu fazia meu próprio baralho multi-anime. Eu jogava comigo mesmo. Goku vs. Ash. Hyoga vs. Picollo. Ikki vs. Shun. No RPG, eu vi a possibilidade de todos os heróis da minha infância duelarem juntos, de uma forma inigualável. Desse dia em diante, eu comecei a minha “quest” por jogadores de RPG. Depois de muita procura, encontrei um grupo. Comecei a jogar com eles. Como eu era o mais novo, sofri muito. Sempre tinha um Goblin escondido em algum lugar absurdo e ele sempre me deixava fudido. E assim fui indo. Me tornei um RPGista. Mas eu não era um amante apenas do RPG “de mesa”. Desde pequeno sempre joguei RPG no meu Nintendinho (ahh, Final Fantasy!), Mega Drive (Phantasy Star!), Super Nintendo (Zelda! Chrono Trigger! Shadowrun!) e mais tarde no meu Playstation (Final Fantasy’s, uni-vos!). Claro, naqueles tempos do Nintendinho, eu nem sabia que aqueles jogos onde eu “vivia o bonequinho” eram versões eletrônicas dos RPG’s.
Voltando à conversa do MSN. Prontamente respondi ao rapaz: “Ahn, porque a pergunta?”. Ele me respondeu agressivamente: “Afff, meu”, “rpg num é aqueles joguinhu onde us cara sao quadrado”. Eu não sabia se ria ou se chorava. Ou então, se matava o cara. Eu não tinha uma resposta para isso. Nunca me treinaram para conviver com isso. Que mundo é esse? Ei? Como pode alguém dizer isso? Não estou batendo bem da cabeça. Eu respondi qualquer coisa: “Tem certeza que você sabe o que é RPG?”. “tenhu sim rpg eh mu online, flyff”…
Aí eu desabei. Como pode isso? Como pode alguém achar que um jogo, cujo único objetivo é bater, bater, bater, recuperar vida, subir de nível, subir de nível, bater, repete tudo, é RPG? Tentei tomar a situação como um desafio. Resolvi fazer o cara conhecer o RPG de mesa e os clássicos para SNES. Ai de mim. Logo após eu passar alguns links sobre D&D e GURPS para ele, ele só comentou: “que lixo”. Epa. Esqueci que ele acrescentou: “aff kra, naum existe mais essas merda de mesa, agora eh videogame”. Bem. Tentei ignorar. Daí mandei links sobre Chrono Trigger, Final Fantasy 6 e The Legend of Zelda. Fui alvejado no coração: “affffff, olha os grafico dessas merda se liga meu”. Nesse exato momento, resolvi escrever este artigo. Resolvi refletir e compartilhar meus pensamentos com vocês. Que diabos está acontecendo com a “juventude” de hoje? Parece que tudo que realmente importa hoje em dia, são os gráficos 3D super-ultra renderizados que puxam seu PC ao extremo. O jogo pode ser a maior gororoba, do tipo “Atire no que se mexer ou brilhar”, mas tendo gráficos bons, é “rox”. Os MMORPG’s, moda atual, são piores que isso. Você segue uma linha, e não sai dela. Cadê a criatividade? Cadê o seu cérebro funcionando?
Com esse “argumento” voltamos a uma história antiga. Mas que é fato. Livros e Televisão. Com a televisão, as pessoas pararam de ler. Pararam de imaginar. Pararam de sonhar. Hoje, o que fazemos é sentar nossas bundas gordas e assistir uma história pronta. Uma bosta digerida, pronta para ser engolida. Todo esse comodismo me irrita profundamente e parece que ele está “invadindo” nosso pacífico vilarejo dos RPGs. E o que é um RPG sem imaginação? Ora, fácil. MMORPG.
Não acho que esse artigo tenha fim. Ele é só um prefácio para uma discussão que quero que seja continuada em nosso fórum. Sintam-se livres para comentar e botar a boca no trombone. Cliquem aqui para se registrar em nosso fórum e continuar essa discussão por lá.
Escrito por Desert Eagle









